Cantor e músico do Titãs lançou seu sexto álbum solo e se apresentou em Campinas.
Sérgio Britto dispensa maiores apresentações. Uma das vozes mais icônicas e um dos principais compositores da melhor banda de todos os tempos da última semana, os Titãs, onde escreveu sucessos como “Epitáfio”, “Enquanto Houver Sol”, “Porque Eu Sei O Que É Amor”, “Homem Primata”, “Flores”, “Go Back”, além de parcerias como “Marvin”.
Paralelamente, há mais de duas décadas o cantor, compositor e multi-instrumentista também mantém uma sólida carreira solo que, se no início enveredava por uma série de estilos musicais com base ainda no rock titânico, já tem um tempo que ele fincou os pés na bossa nova. E o sexto álbum de estúdio dele, “Mango Dragon Fruit”, lançado em 2025, veio para estabelecer Sérgio Britto como um músico versátil, capaz de transitar entre gêneros bastante diferentes e oferecer uma excelente experiência auditiva.
Foi juntando essas duas estradas de uma carreira brilhante que Sérgio Britto se apresentou no Espaço MultiUso do Sesc Campinas, no dia 08 de novembro de 2025, onde ele tocou músicas de ambos os trabalhos (Titãs e solo), e eu tive a oportunidade de ter uma breve conversa com esse ídolo do rock nacional.
BOLASHOW: Sérgio, você é um raro exemplo de músico que foi projetado numa banda de rock, fez o seu projeto solo há (mais de) vinte anos e não saiu da sua banda que o projetou. E o Titãs já veio para o interior de São Paulo várias vezes nesse ano (de 2025) e agora você veio ao Sesc Campinas com seu projeto solo. Diante dessa agenda, além de compromissos com ensaios, imprensa e tudo mais. Como que você concilia esses dois projetos?
SÉRGIO BRITTO: O tempo é uma coisa complicada, mas sempre deixei minha carreira solo em segundo plano. Agora eu tô tentando equilibrar mais, porque fazer shows é importante. Isso que a gente fez hoje para dez, vinte, quinhentas pessoas, mil pessoas, acho que cada vez vai ser mais importante pra ter esse contato direto com as pessoas, lançar meu projeto solo, resgatar essa história. Então eu tento conciliar as duas coisas. Deixar a carreira solo em segundo plano foi uma opção que eu fiz porque eu gosto muito de estar numa banda. Não posso falar pelos outros, mas acho que quando você fica incomodado de estar numa banda, aí sim é motivo pra sair. No entanto, eu não estou incomodado, a maioria das músicas do Titãs são de minha composição, e eu gosto de estar no palco de outra maneira também, gosto de gritar, então eu me esforcei ao máximo pra conciliar as duas coisas e acho que talvez eu seja o único exemplo de alguém que tem uma carreira solo e permanece numa banda (risos). Mas é a minha opção e não posso me trair.
BOLASHOW: Você falou de composição, me corrija se eu estiver errado, mas eu já vi uma entrevista que você citou que “Epitáfio” não era um consenso entre os membros do Titãs na formação da época, e poderia nem ter entrado na discografia da banda. Essa música, assim como tantas outras que você compôs, ela poderia ter entrado no seu projeto solo ou você compõe diretamente pro Titãs, diretamente pro Sérgio Britto. Como você direciona suas composições?
SÉRGIO BRITTO: As músicas nascem e eu componho incessantemente. Quando você compõe de verdade, você fica atento a tudo e vai transformando tudo em música, faz trechos, vai catando semente e vendo o que pode dar certo, o que vale a pena desenvolver. Eu adoro, eu gosto muito. Então eu não premedito, mas eu sei que tem músicas com mais cara de banda de rock, outras tem uma intersecção entre o que eu faço sozinho e o que faço com os Titãs. Essas baladas são bem isso, “Epitáfio” poderia ser do meu trabalho solo, obviamente que seria muito menos conhecida (risos), mas tem uma que eu toquei hoje que se chama “Epifania” que é minha mas poderia fazer parte do Titãs, e até talvez fosse muito mais conhecida. Mas são coisas circunstanciais, tem coisa que é pra lá, outra pra cá, e essa zona que é uma intersecção. Mas eu não premeditando, não.